Resíduos em Serviço de Saúde

novembro 9th, 2012

Sólidos Hospitalares ou “LIXO HOSPITALAR”, configura-se como uma problemática ainda com poucas soluções devido à periculosidade de seus resíduos e pelas características físicas e químicas, as quais se constituem um problema bastante sério para os Administradores Hospitalares, principalmente quanto à falta de informações a respeito desse processo .
O lixo hospitalar é o que resulta da manipulação em hospitais e clínicas. É formado em sua maioria por materiais descartáveis, cateteres, restos de alimentos, limpeza de salas de cirurgia e curativos, peças anatômicas, substâncias químicas em geral.
Esse lixo pode estar contaminado com micro-organismos causadores de doenças, e por isso representa um grande perigo à saúde das pessoas e ao meio ambiente, sendo este é classificado em grupos:

Grupo A (Risco biológico) – engloba os componentes com possível presença de agentes biológicos que, por suas características de maior virulência ou concentração, podem apresentar riscos de infecção. Exemplos: placas e lâminas de laboratório, carcaças, peças anatômicas (membros), tecidos, bolsas transfusionais contendo sangue, dentre outras. Deve ser acondicionado em saco plástico branco leitoso, resistente, impermeável.
Os resíduos do grupo A são identificados pelo símbolo de substância infectante, com rótulos de fundo branco, desenho e contornos pretos.

Destino final: grupo A incinerados.

Grupo B (Risco químico) – contém substâncias químicas que podem apresentar risco à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Ex: medicamentos apreendidos, reagentes de laboratório, resíduos contendo metais pesados, dentre outros. Devem ser acondicionados com sua embalagem original, dentro de recipiente inquebrável, envolvido por um saco.
Os resíduos do grupo B são identificados através do símbolo de risco associado e com discriminação de substância química e frases de risco.

Destino final: Grupo B devolvido ao fabricante.

Grupo C (Rejeitos radioativos) – quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de eliminação especificados nas normas da Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN, como, por exemplo, serviços de medicina nuclear e radioterapia etc. Deverão ser acondicionados em recipientes blindados.
Os rejeitos do grupo C são representados pelo símbolo internacional de presença de radiação ionizante (trifólio de cor magenta) em rótulos de fundo amarelo e contornos pretos, acrescido da expressão MATERIAL RADIOATIVO.

Destino final: Grupo C devolvido ao fabricante .

Grupo D (Resíduo comum) – não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Ex: sobras de alimentos e do preparo de alimentos, resíduos das áreas administrativas etc.
Os resíduos do grupo D podem ser destinados à reciclagem ou à reutilização. Quando adotada a reciclagem, sua identificação deve ser feita nos recipientes e nos abrigos de guarda de recipientes, usando código de cores e suas correspondentes nomeações, baseadas na Resolução CONAMA no 275/01, e símbolos de tipo de material reciclável. Para os demais resíduos do grupo D deve ser utilizada a cor cinza ou preta nos recipientes. Pode ser seguida de cor determinada pela Prefeitura. Caso não exista processo de segregação para reciclagem, não há exigência para a padronização de cor destes recipientes.

Destino final: Grupo D reciclados, reutilizados ou aterrado.

Grupo E (Perfuro cortante) – materiais perfuro cortantes ou escarificantes, tais como lâminas de barbear, agulhas, ampolas de vidro, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas, espátulas e outros similares. Acondicionados em recipientes rígidos preenchidos somente ate 2/3 de sua capacidade.
Os produtos do grupo E são identificados pelo símbolo de substância infectante, com rótulos de fundo branco, desenho e contornos pretos, acrescido da inscrição de RESÍDUO PERFUROCORTANTE, indicando o risco que apresenta o resíduo.

Destino final: Grupo E incinerados.

O transporte dos resíduos deverá ocorrer em horários e percursos planejados, evitando assim a coincidência com fluxos de roupa limpa, medicamentos, alimentos e outros materiais e locais de grande circulação de pessoas.
O transporte dos resíduos será efetuado de duas maneiras: manualmente, utilizando
recipientes que não excedam 20 (vinte) litros de capacidade ou, através de carrinhos
fechados especiais de coleta. A tarefa de coleta será executada por funcionários designados pelo Serviço de Limpeza e estes deverão estar utilizando os devidos EPI’s compatíveis com a atividade.

A incineração sendo um processo termoquímico que visa à diminuição do volume do lixo, tendo menor índice da toxidade para os seres vivos e o meio ambiente, este processo é indicado pela Organização Mundial de Saúde – OMS, ser atrelado à indústria como mecanismo de reduzir impactos da Emissão de Gases do Efeito Estufa – GEE . Existindo ainda alternativas para utilizar o lixo hospitalar como combustível para caldeiras da indústria siderúrgica, sendo tomadas as devidas precauções de isolamento do material queimado daquele que está sendo produzido. Desde que o lixo fique adequadamente confinado no incinerador e sem contato com os elementos que estão sofrendo o beneficiamento industrial, sua utilização pode ser considerada como ferramenta importante na geração de energia e de sustentabilidade, uma vez que outros combustíveis serão poupados e o impacto ambiental será reduzido.
É importante ressaltar que embora a legislação ambiental exija a adequação ao tratamento do lixo, hospitais públicos e privados têm negligenciado as determinações.
Dados do IBGE apontam para um descaso com a saúde pública e com o meio ambiente, neste sentido uma estimativa atual considera que 20% do lixo hospitalar sejam coletados, tratados e incinerados, enquanto os 80% restantes sejam incinerados através de fogueiras artesanais a céu-aberto, jogados em aterros, lixões, valas sépticas como se fosse lixo comum (IBGE, 2010).
Significando que o lixo produzido nos hospitais acaba retornando para a sociedade através da contaminação do solo e da água pelo chorume, através da contaminação direta entre os moradores e usuários dos aterros, na tentativa de aproveitar aquilo que desconhecem como lixo, acabam por adquirir doenças com alto grau de resistência, que são especificidades dos resíduos hospitalares.

Texto das alunas de Enfermagem: Cleia Márcia Alves dos Santos e Heloísa Helena Braga Teixeira Martins.

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