Nas fronteiras do poético e da filosofia.

outubro 23rd, 2012

Tempo! (…) Tempo? (…) Tempos.

…e o tempo do homem comendo o tempo do homem.

Nossa! Hoje o tempo está contra mim. Estou sem tempo para nada! Parece que eu não consigo acompanhar o tempo. (…) Espera aí! (…) Tempo? (…) Nossa! Há quanto tempo eu não paro para pensar sobre o tempo! (…) Êpa! Tempo ou tempos? É! Porque uma coisa é o tempo que é tempo mesmo, por onde todos os tempos passam. Outra coisa é o meu tempo. (…) Vamos explicar melhor: O tempo que não é meu, logo, não sou eu, é o tempo para todos os tempos, é o tempo por onde todos os tempos se tornam tempo e em algum tempo a frente deixará de ser tempo. Ele é linear. Já o meu tempo não. (…) Tá! Tá! Tá bom! Nos últimos tempos, meu tempo, que sou eu, também se tornou linear. Mas é só nos últimos tempos, hein?! Afinal, o que eu posso fazer se eu não tenho tempo? Não é mesmo tempo? (…) Oh, vamos nos distinguir. É melhor! (…) Pensemos: Se você, tempo, é linear, aquele imponente, que não depende de nenhum tempo justamente porque é você quem dá e toma o tempo dos tempos, então você é o 1º tempo . E já que você é o 1º tempo, então digamos que eu sou o 2º tempo . Tá bom assim pra você, tempo? Quero dizer, 1º tempo. Se você já existia antes que eu tivesse tempo, e ficará aqui do mesmo jeito, depois que eu me perder no tempo, então você deve ser o 1º tempo e eu o 2º tempo. É justo. (…) Ah seu 1º tempo danado! Bem que eu queria ter tempo para aprender com você como dar tempo ao tempo. Você parece ser tão perfeito 1º tempo! Enquanto eu, não sou nada além de um 2º tempo que perpassa em você. Se eu perpassar devagar ou acelerado na linha do 1º tempo, importa só a mim, um simples e humilde 2º tempo. Ou seja, se eu acompanhar o 1º tempo, bem, se não, amém. E pra ser sincero, eu nem sei bem quem é o 2º tempo. Sei falar mais do 1º tempo do que de mim mesmo. (…) Porque será, hein 1º tempo? E porque eu não tenho tempo para pensar sobre o 2º tempo? (…) Não! (…) Espera um tempinho aí, ô 1º tempo. (…) Ah! Uma coisa eu sei do 2º tempo, 1º tempo. Eu sei que às vezes ele me incomoda muito. É um tempo que me obriga a correr contra o tempo. (…) É! É isso mesmo! O 2º tempo é um tempo sem tempo Sr. 1º tempo. (…) Por que o 2º tempo não tem tempo Sr. 1º tempo? Você que é um tempo tão grandioso, porque não me dá um pouco do seu tempo? (…) Ah não! Espera aí só mais um tempinho 1º tempo? (…) Nossa! Que bobagem! O 2º tempo tem tempo sim, pois, do contrário, não haveria o 2º tempo. (…) Estou certo, não estou 1º tempo? (…) Ai! (…) É isso que dá pensar sobre o tempo sem ter tempo. Não é mesmo 1º tempo? (…) Mas, afinal, e esse incômodo que o 2º tempo tem? O que é 1º tempo? Responda-me, por favor! Se puder responder, poderia ser mais rápido? É que eu não tenho muito tempo. (…) Espera aí, 1º tempo! (…) Porque o 2º tempo nunca tem tempo? (…) Ah, seu 1º tempo danado! Você me deu um tempinho para eu encontrar a resposta, né?! Acho que percebi. (…) Tem outro tempo, um 3º tempo , que me empurra para frente o tempo todo. Esse 3º tempo não me deixa perceber o tempo. Nem o tempo antigo; nem o tempo presente; nem o tempo futuro; nem a soma desses tempos, que seriam você, 1º tempo. (…) Mas espere aí! (…) O 3º tempo não permite o 2º tempo perceber nem mesmo o próprio 2º tempo. (…) Esse 3º tempo mente para mim o tempo todo. (…) Nossa! Como pode?! (…) Mas espera um tempinho aí! Tem algo a mais! (…) Agora que eu estou percebendo outra coisa. (…) O 3º tempo não me deixa perceber claramente nem mesmo ele, o próprio 3º tempo! Agora que eu tô começando a entender. (…) Mas espere mais um tempinho. (…) Deixe-me pensar um pouco mais. (…) O 2º tempo ainda está incomodado com algo. O que é 1º tempo? Responda-me você, quem posso confiar. (…) Ai! 1º tempo me ajude! (…) Tá bom! Pode ser com um tempinho. (…) E você 3º tempo, quem é você? Eu sou o 2º tempo, prazer! (…) Espere um tempinho aí. (…) Ah! Agora que eu tô entendendo esse tal de 3º tempo. (…) Além de me tomar o meu tempo para não entender você, 1º tempo, o 3º tempo controla o 2º tempo em tudo. (…) Em tudo mesmo, 1º tempo! Você acredita? (…) Porque você me toma meu tempo, 3º tempo? (…) Porque você me engana o tempo todo a respeito do 1º tempo? (…) E sobre o 2º tempo também. (…) Você precisa do 2º tempo para ter tempo? O meu tempo te sustenta de tempo? Se você não tiver o 2º tempo, você se perderá no 1º tempo? (…) Ah! É isso! (…) Você é concorrente do 1º tempo. Você tem inveja do 1º tempo. Como você não pode roubar o tempo do 1º tempo, então você toma os tempos do 1º tempo. Inclusive o 2º tempo aqui. É! Inclusive eu. (…) Ai! Como é que pode uma coisa dessas?! Agora tô percebendo outro incômodo! (…) Ai! Ai! Ai! O que é? Já foi tão difícil descobrir o primeiro, agora me aparece mais um desconforto. (…) Ah! Eu sei o que é. (…) Eu deixei de ser o 2º tempo. Eu num tô acreditando nisso. Como pode?! (…) Ô 1º tempo, você acredita que o 3º tempo tomou o tempo do 2º tempo e deu a uma cópia do 2º tempo? Pior ainda, 1º tempo, o 3º tempo me abafou dentro desse 2º tempo clone. (…) Que tempo ocorreu isso que o 2º tempo real não percebeu nada? Que horror! (…) Agora eu estou entendo tudo. Agora eu sou um 4º tempo. (…) É isso mesmo, 1º tempo. O 2º tempo é escravo do 3º tempo. (…) E eu, o 4º tempo, estou abafado, recalcado dentro do 2º tempo. (…) Nossa! (…) Preciso de um tempo para me recuperar desse trauma. (…) Isso é demais para mim! (…) Isso é muito devastador para o meu pequeno ser! (…) Que 3º tempo mau! Que 3º tempo mau! (…) Que 2º tempo idiota! Oh! Quero dizer, que 4º tempo idiota! (…) É por isso que o 4º tempo não tem tempo para pensar sobre o 1º tempo. É que o tempo que o 4º tempo deveria ter, o 3º tempo tomou do 4º tempo e deu para o 2º tempo. (…) É isso mesmo! (…) O 2º tempo utiliza o tempo do 4º tempo em função do 3º tempo. (…) Será que o 4º tempo ainda tem tempo para correr atrás do tempo perdido? (…) E tomar o tempo do 2º tempo que pertence ao 4º tempo? (…) Ai! Eu não aguento mais ficar preso aqui dentro do 2º tempo. (…) Eu preciso de tempo! Eu preciso do 1º tempo! (…) Nossa! 1º tempo, eu preciso pedir desculpas a você. Será que eu ainda tenho tempo para isso? (…) Desculpe-me por acreditar mais no 3º tempo, quase o tempo todo, mesmo achando que eu estava acreditando em você, 1º tempo. (…) Esse tempo todo achando que você é um tempo arrogante, que não ligava para o 2º tempo, que agora é 4º tempo. (…) E agora percebo nitidamente que você é e sempre será o mesmo tempo. É o tempo que me deu o meu tempo e me dá oportunidade o tempo todo de enriquecer de tempo. (…) E eu não aproveitei nada durante esse tempo todo. (…) Como pude ser tão ingênuo? (…) Parece que agora só me restam essas lágrimas que escorrem incessantemente pelo meu rosto. (…) Ai, tá tão difícil pensar nisso! Parece ser algo além do meu tempo. (…) Oh! Sabe de uma coisa? (…) Vou parar de pensar sobre o 1º tempo, sobre o 2º tempo, sobre o 3º tempo e sobre o 4º tempo. (…) Não tenho mais tempo para isso. (…) Aliás, eu não quero mais ter tempo para pensar nisso. (…) 1º tempo, me faça um favor: não me dê tempo mais. Não quero pensar sobre tantos tempos. Isso dói muito! Isso dói muito mesmo! (…) Acabei descobrindo que sou um tempo que perdeu seu tempo em função de outros tempos. Parece até, que sou um 5º tempo: um tempo passado; um tempo que já se foi; um tempo que não existe mais. (…) É! É isso mesmo. Eu não existo mais.

Texto do Aluno Haroldo Eugênio Rodrigues de Souza – 2º Período de Psicologia.

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